
Hoje estou sem tempo para escrever e por isso resolvi deixar um texto que já escrevi há uns anos. O texto serve dois propósitos: não falhar com o meu propósito de escrever diariamente, e serve também de Coro, antes de entrar o primeiro acto, o meu primeiro homem):
“Ela cruza a rua. Ele cruza-se com ela. Conhecem-se e começam a sair: ela com ele, ele sem ela. Foi dele. Ele dele foi e foram durante algum tempo: ela e ele e ele e ela, ele e ela e ela e ele. E ela e ele e ele e ela e ela e ele e ela e ela e ele e ele e ela e ela e ele, numa monotonia que não é mais que o passar do tempo. Ela amava ele, e ele que não amava ela. Ela morria por ele, ele vivia sem ela. Estão sentados ao pé do mar. Ela com ele e ele sem ela. Zangam-se: ela com ele e ele com ela. Ela sai sem ele. Ele fica finalmente sem ela. Ela não compreende. Ele também não. Porquê? Porque é que não lhe corresponde. Ela volta à praia para chorar. Ele fugiu dele pelo mar.
.......
Uma folha chega-lhe através das ondas. Não, não é uma folha, é talvez uma concha, mas vendo melhor é uma máscara, a máscara dele. No mar ele nada invisivel - "amem-me pelo que não fui". Ela coloca a máscara e finalmente é ela e ela e só ela sem ele. Transforma-se ali a ela que era dele, mas que agora é dela. Amem-me pelo que sou, diz ela. E ele vive livre e é feliz. E ela vive presa em busca da felicidade. E são ela e ele.”
Epa hei!

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