quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sofrimento Tântrico

Nada de choro com pressa. O Sofrimento Tântrico busca o desgosto máximo e duradouro com todos os sentidos. Se quer experimentar o hiperchoro, veja com atenção o que deve fazer, seguindo as 4 etapas:
- CHOQUE
O Sofrimento Tântrico geralmente é causado por um desgosto inesperado, alguma coisa que nunca pensou que lhe podia acontecer e que consegue ser pior do que o pior que tinha imaginado.
-NEGAÇÃO
Perante este sofrimento não saberá como reagir racionalmente. Então o seu instinto de sobrevivência negará o que aconteceu, mesmo que seja evidente. Os sentidos congelam. Arranjará muita coisa para fazer e andará quase sempre acompanhado, mas sempre sempre muito muito ocupado de forma a não ter tempo para sentir.
-CONTENÇÃO
Permanecerá neste estado durante algum tempo (10 anos no minimo). Todos vão admirar a força e a coragem como ultrapassou o trauma. Só pessoas que tenham tido experiência com o hiperchoro terão pena de si, mas respeitarão o seu desgosto: sabem que para atingir o estado de hiperchoro é preciso tempo e cada um tem o seu.
-HIPERCHORO
Ninguem aguenta estar sempr emuito ocupado eternamente. Pouco a pouco irá relaxar e um dia que esteja totalemente relaxado,( geralmente costuma ser de manhã ou durante uma refeição descontraída), sentirá um marmoto de lágrimas a invadi-lo. Será uma coisa avassaladora e se tiver acompanhado terá que se retirar para um sitio só. A primeira reação será de espanto, “não pode ter vontade de chorar porque não gosta do peixe que está na mesa” mas lentamente compreenderá o que se passou: a sua alma, a alma que deixou lá para traz há muitos anos apanhou-o, tal como acontece com a tartaruga da fábula da lebre, mas está aqui para a abraçá-lo. Chorará então de verdade e conhecerá a sensação de ser humano. Não se iluda com pequenas sensações de choro. Se as tiver olhe-as nos olhos e contenha-as, porque elas gastam energia vital para ser usada no Hiperchoro. Vai ver que o desgosto irá compensar...

-CONTINUAR
Ficará desconcertada mas conmtinuará a andar, mas agora com a sua alma.

Já me senti assim.
Nanã Burucum, que faça renascer as nossas almas

terça-feira, 16 de junho de 2009

Encantamento ou Bolo de Chocolate


Hoje vou iniciar um novo capítulo – relações. Aínda me falta escrever aqui sobre alguns tipos de homens que conheço, nomeadamente o "homem sandwich","homem centopeio" e o "anti-electrodoméstico", mas preciso de mais tempo para fazer o trabalho de campo e quero cumprir a minha resolução de ter um texto por semana.

Voltando ao motor deste site, os cromos “Amor é...”, lembro-me de um que dizia “...É fazer um bolo de chocolotate para a pessoa que mais gostas”. Talvez por isso tenha esta fixação de fazer um bolo de chocolate em momentos que quero encantar. O primeiro bolo que fiz ficou: agarrado à forma, seco e demasiado doce. Foi para a primeira festa que dei lá em casa e não sei se foi por não haver mais nada para além de alcool, mas toda a gente comeu e disse bem. O segundo ficou: agarrado e amargo. Foi para a minha tia, que teria comido o primeiro e continuado a chorar emocionada pela sua “querida sobrinha” já fazer bolos. O terceiro ficou :“mainstream”, nada de especial. Foi para o trabalho. O quarto ficou: Sublime, (até o meu cão uivou quando o tirei do forno!). Foi para o meu aniversário e quem comeu pediu para voltar a fazer. Esta Metamorfose dá-me esperança em todas as áreas da minha vida e na resposta que dou à “GranPergunta”. Nem sempre acertamos na dose. Por vezes não usamos a forma certa. Às vezes deixamos ficar no forno demasiado tempo, mas com a prática isto vai lá. É com a prática que aprendemos e chegamos ao ingrediente que ficará “como o nosso segredo” e que só revelaremos oralmente à nossa irmandade. Esta experiência também me ensinou que é muito importante quem o come, é o facto de“gostaram” que não nos deixa desistir.
Abará, um prato de Orixás